quarta-feira, 13 de maio de 2009

O CANTO DOS ESCRAVOS

DI04410

“Em 1928, indo em gozo de férias a S. João da Chapada, município de Diamantina, chamaram-me a atenção umas cantigas em língua africana ouvidas outrora nos serviços de mineração. Entendi, posteriormente, de realizar de vez, o velho plano de recolher os “vissungos”, como lhes chamam, reunindo ainda o vocabulário e a gramática da “língua de benguela”, certamente transformada em nosso meio. A necessidade que tinham os brancos de aprender a língua das cantigas na linguagem corrente – tudo isso deu corpo à antiga suspeita que existiu na Chapada um dialeto de negros bantos.”

Esta é uma parte do texto de Aires da Mata Machado Filho, autor do livro “O Negro e o garimpo em Minas Gerais” que está no encarte deste disco que é um marco. O Canto dos Escravos foi recriado e reinterpretado pelas vozes de Clementina de Jesus, Tia Doca e Geraldo Filme.

São cantigas que os cativos entoavam nas fazendas, durante o trabalho - os “vissungos”. Palavra que vem de “ovisungo” (cantiga, cântico), de acordo com Nei Lopes em seu Dicionário Banto do Brasil. São os últimos sopros de um dialeto banto durante um tempo em que se pensava que o nagô era a língua oficial dos negros trazidos para o Brasil.

Sem instrumentos harmônicos, a percussão de Djalma Corrêa, Papete e Don Bira mistura toques de xequerês, enxadas, cabaças, atabaques e afoxés.

Na Umbanda, os Preto-Velhos representam sabedoria. São espíritos de velhos escravos que morreram açoitados ou de velhice e que apesar da total falta de liberdade, nunca perderam a fé.

3 comentários:

opiniática disse...

quero ouvir!

Frida disse...

maravilhoso! eu tenho!

sol-moras-segabinaze disse...

Que bom que gostou. E olha que as que vc ouviu nem são as melhores. haha

Se tiver interesse, posso te mandar o disquinho que fiz e a gente pode ainda agitar uma colaboração. Seria uma honra.

Ab