sexta-feira, 5 de março de 2010

Micro-contos de Mistério e Investigação - 1



"Perdi. Mas estava aqui em algum lugar. Só preciso lembrar onde guardei." O taxista olhava desconfiado pelo retrovisor enquanto eu procurava por uma nota de vinte reais para pagar a corrida.

Logo eu, logo eu que sou tão meticuloso com as notas na carteira. Costumo organizá-las em ordem crescente. Das menores para as maiores. Uma tia me ensinou isso uma vez. "Desde que comecei a arrumar as notas desse jeito, nunca mais me faltou dinheiro. Foi um comerciante libanês que me ensinou." Eu era pequeno, mas ouvia tudo e seguia à risca. Realmente, era a tia mais rica da família. Ela tem tanto dinheiro que até hoje me presenteia com algum. Não tenho vontade nenhuma de dizer que não preciso mais pagar a faculdade. Sempre que posso, lembro dessa história com minha irmã. "Só pra você ela manda dinheiro. E olha que ela é minha madrinha e ainda tenho uma filha!" Depois cai na gargalhada. "É porque aprendi a guardar dinheiro na carteira como ela ensinou." É a minha explicação. Minha irmã entorta a boca, eu dou de ombros e divido meu "presente" com ela.

Pensei em contar essa história toda para o taxista, sem querer comover o homem, mais no intuito de entretê-lo enquanto eu enfiava a cabeça dentro da mochila já que não achava a nota de jeito nenhum. Mais estranho ficou quando de dentro da mochila saquei o DVD "As Filhas de Drácula" e mais o "Nebraska" do Bruce Springsteen. Nesse momento não cabia mais nenhuma explicação plausível. Pensei em escambo, mas vi que nenhum daqueles produtos estavam dentro da área de interesse do taxista. Qualquer um pode se perguntar porque eu estava com essas coisas tão díspares na mochila. Não é difícil dizer o motivo. Naquele dia, eu passei na casa de um amigo que me emprestou o filme. Ele mora perto de um sebo de discos e antes de voltar para casa, sempre passo lá para dar uma conferida. Achei uma versão remasterizada desse disco que é o meu preferido do Bruce e comprei. Nada demais, a não ser o fato de ter gasto o dinheiro do táxi nessa onda. Se é que eu gastei, pois me lembro bem da vendedora me passando o troco.

"Moço, não estou achando o dinheiro. Preciso passar no banco." O taxista olhou o relógio, tamborilou com os dedos no volante e quis saber quanto eu tinha. Respondi que além da honra, tinha mais sete reais. A parte da honra é mentira. Ele arrancou bruscamente e parou em frente a um caixa eletrônico quase perto da minha casa, mas que não funcionava. Saltei com a mochila nas costas e quando voltei com a notícia de que não seria possível tirar dinheiro algum, acho que ele falou alguma coisa sobre tomar no meio de algum lugar e partiu cantando pneu. Apalpei o maço atrás de algum cigarro no bolso da camisa e achei vinte reais.

4 comentários:

Anônimo disse...

que ruim

Pedro Henrique disse...

já vi histórias infantis que tinham mais terror e investigação do que essa, foi a pior q eu já li em toda a minha vida

Anônimo disse...

De mistério e de investigação isso não tem nada me disculpe mais quem escreveu isso nãoo sabe pegar num lapis , e isso tudo é engabelação essa hitória se resume em : peguei um taxi não achei o dinheiro e o taxista saiu me xingando..........pronto.

Emanuela Souza Cordeiro disse...

Sabe por que este texto está tão ruim? Porque você se prendeu muito no tempo psicológico da narrativo, passando a falsa ideia de suspense e mistério, e, no final, não correspondeu à expectativa ao apresentar um final bobo. Aconselho que se preocupe em produzir um final mais surpreendente!