quarta-feira, 30 de junho de 2010

Copas


a bola e a cidade rolando rio abaixo rolando nos campos rolando ribanceira devorando árvores pensamentos seguindo a linha derrubando homens entre outros animais no corre da babilônia na corredeira da correnteza do rio vai levando aquela dor e perdeu-se tudo na lama da lama ao caos do caos a lama a cidade só cresce

perdeu-se uma biblioteca deus me livre de perder a minha deus me livre de perder a linha da vida na linha da palma da mão espalmada na linha do gol de quem para quem quer se soltar

um cansaço uma ressaca e tudo de bom parece que agora vai e vc, hein? engrenei mesmo na ginástica futebol dá um ânimo novo na gente ou pelo menos era pra dar bom resultado

desde que saí de casa trouxe a viagem da volta gravada na minha mão enterrada no umbigo versos de Torquato que leio no quarto crescente

saio não volto saio e volto encontro mais alguém esse alguém me diz como vai tudo bem quando vem me ver quando vem aqui quando vou aí quando vamos assistir o jogo juntos quando vai ser afinal quando vai ser a final quando menos se espera

Oxalá se Deus quiser vamos ganhar vamos ganhar a porra toda as eleições vamos ganhar o mundial vamos faturar um milhão mais uma vez tudo para tudo o mais pura rotina

já não sei mais que jogo é esse quem disputa o que interessa é isso a cidade em clima de final de ano não consegui nem tomar um café uma empada sequer mas aquela taça em cima da mesa na beira do campo é nossa viu nego devia ter Copa todo ano

Um comentário:

Joice Marino disse...

Não queria ficar no campo "firulado" dos adjetivos, mas surge a necessidade de compartilhar o prazer em ler-te: maravilhoso, Haroldo. Eu adorei. Muitcho bom!

Beijo grande.